Sargento Pedro trabalhou alguns anos numa unidade militar, sediada no Sertão do Estado. Era um militar vivedor, agora, aposentado, desfruta do sossego, lembrando das histórias da caserna.
Certo dia, a filha do véi Mané Cabrinha resolveu se casar, e a festa seria no sítio dele, com um jantar farto e uma animada tocada de forró. Mané avisou que mataria uns porcos e umas galinhas para a ocasião. Na quinta-feira, ele foi ao quartel e pediu segurança ao comandante, informando sobre a presença de convidados importantes.
O oficial designou o Sargento Pedro para a missão, já que eram amigos e Mané frequentemente agradava o referido sargento em sua casa com um prato especial. Ao chegar, Pedão animou os soldados, alertando-os para a beleza de uma matutinha na varanda. Entre risadas e provocações, os soldados se prepararam para a festa.
Após o jantar, todos se dirigiram para a sala de forró. O sanfoneiro começou a puxar o fole e o clima esquentou com o sargento dançando animadamente com a matuta Amélia. Enquanto isso, o delegado, o juiz, o padre e o restante dos convidados elogiavam seus dotes de exímio dançarino. Balançando o esqueleto, suado feito tampa de chaleira, ele rodava no salão feito carripeta.
Terminada a festa, tudo calmo e na segunda-feira, o véi Mané foi agradecer ao comandante pelo policiamento escalado e aproveitando o ensejo elogiou os militares: - Coroné, os cabas que o senhor mandou deram um show, eles beberam Cerveja, Conhaque, Pitu, Montila, comeram e dançaram como nunca! O sargento, esse roubou a cena, arrasou no salão, parecia uma carripeta, agarrado com Amélia, a quem só largou no final da festa!
Após a saída de seu Mané, o comandante chamou Pedro e os seus comandados para dar uma bronca. Mas o soldado, folgado que só parafuso remoído, tentou suavizar a situação: - Comando, errar é humano. Atire a primeira pedra o praça que nunca caiu numa tentação por causa de um rabo de saia!
O comandante, porém, cortou: - Cale a boca, soldado, estou falando com o graduado! E Soldado retrucou: - Eu só tô me intromentendo comando, porque o sargento não tá podendo falar, o pobre levou uma dentada na língua. Pia a cara dele, tenha dó. A risada tomou conta da sala, mas o sargento foi punido disciplinarmente. Na caserna, fatos dessa natureza não ficam impunes. É um regime da molesta!






