terça-feira, 22 de outubro de 2024

Sargento Pedro balançou o esqueleto no casamento da filha do véi Mané e foi punido


Sargento Pedro trabalhou alguns anos numa unidade militar, sediada no Sertão do Estado. Era um militar vivedor, agora, aposentado, desfruta do sossego, lembrando das histórias da caserna.

Certo dia, a filha do véi Mané Cabrinha resolveu se casar, e a festa seria no sítio dele, com um jantar farto e uma animada tocada de forró. Mané avisou que mataria uns porcos e umas galinhas para a ocasião. Na quinta-feira, ele foi ao quartel e pediu segurança ao comandante, informando sobre a presença de convidados importantes.

O oficial designou o Sargento Pedro para a missão, já que eram amigos e Mané frequentemente agradava o referido sargento em sua casa com um prato especial. Ao chegar, Pedão animou os soldados, alertando-os para a beleza de uma matutinha na varanda. Entre risadas e provocações, os soldados se prepararam para a festa.

Após o jantar, todos se dirigiram para a sala de forró. O sanfoneiro começou a puxar o fole e o clima esquentou com o sargento  dançando animadamente com a matuta Amélia. Enquanto isso, o delegado, o juiz, o padre e o restante dos convidados elogiavam seus dotes de exímio dançarino. Balançando o esqueleto, suado feito tampa de chaleira, ele rodava no salão feito carripeta.

Terminada a festa, tudo calmo e na segunda-feira, o véi Mané foi agradecer ao comandante pelo policiamento escalado e aproveitando o ensejo elogiou os militares: - Coroné, os cabas que o senhor mandou deram um show, eles beberam Cerveja, Conhaque, Pitu, Montila, comeram e dançaram como nunca! O sargento, esse roubou a cena, arrasou no salão, parecia uma carripeta, agarrado com Amélia, a quem só largou no final da festa!

Após a saída de seu Mané, o comandante chamou Pedro e os seus comandados para dar uma bronca. Mas o soldado, folgado que só parafuso remoído, tentou suavizar a situação: - Comando, errar é humano. Atire a primeira pedra o praça que nunca caiu numa tentação por causa de um rabo de saia! 

O comandante, porém, cortou: - Cale a boca, soldado, estou falando com o graduado! E Soldado retrucou: - Eu só tô me intromentendo comando, porque o sargento não tá podendo falar, o pobre levou uma dentada na língua. Pia a cara dele, tenha dó. A risada tomou conta da sala, mas o sargento foi punido disciplinarmente. Na caserna, fatos dessa natureza não ficam impunes. É um regime da molesta!

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