No final dos anos 90, um circo passou por Carnaíba, trazendo como atração principal um homem forte de cabelos longos, apelidado de He Man. Desde que me entendo por gente, nunca vi alguém tão potente. Ele começava suas apresentações agradecendo ao Deus de Davi, impressionando o público com tamanha fé.
A cada dia, o espetáculo atraía mais espectadores, com He Man enfrentando vinte homens e os fazendo correr. Até velhos de 80 anos em cadeiras de rodas iam o circo para ver suas lutas. O clima esquentou a expectativa quando o carro de som anunciava a batalha contra o desafiante Nêgo Daniel. Eu imaginava que ele seria um lutador forte, uma cabra marrudo e tudo mais.
Naquela noite, a arquibancada estava cheia, e o cheiro de pipoca e algodão doce preenchia o ar. Quando Nêgo Daniel entrou no ringue, a vaias e assobios tomaram conta do espaço. Ele parecia um grilo, com a deficiência em uma das pernas e com um cigarro no bico, enquanto He Man, robusto e imponente, subia nas tábuas, arregaçando o ringue.
A luta começou e, na primeira pancada, Nêgo Daniel voou quase para fora do ringue, correndo como um gato assustado. Tentou se esquivar, mas seus comparsas o cercaram. Em menos de dois minutos, a luta terminou, e o público ficou frustrado, exigindo o dinheiro de volta. Muitos juraram vingança contra Nêgo Daniel.
No dia seguinte, ele apareceu no circo com uma chupeta na boca, desafiando a raiva da multidão. Anos depois Daniel partiu dessa para outra, mas a história do seu embate com He Man ficou marcada na memória de muitos que lá foram assistir.

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